Milhares de tem e a ausência de palavras

Tem horas, tem dias, tem vazios. Tem banhos de água só fria para acordar isso que dorme depois do comando do cérebro que de repente berra: DORME!
É sempre uma vala funda não conseguir. É sempre ser atirada num bueiro que suga as energias e tapa os buracos jogando pra dentro de mim cimento puro. Tem um monte de momentos que podiam não existir.

A boca costurada numa auto censura sem precedentes brigando com o desejo absurdo de poder me atropelar e sair gritando que eu estou morrendo de expectativa sim e ninguém tem nada com isso.  Ter a ausência no papel de Hitler é bem ruim.
Não fala mais, só tenta inspirar para sair. Não grita isso que não pode.
Tem um monte de verdades que podiam continuar sendo mentirinhas doces para florear a vida.

Tem histórias, tem centenas de minutos, tem intervalos insanos entre uma coisa e outra.
É sempre uma crise de pânico calar e continuar fazendo que eu sou a mulher mais segura do mundo.  Tem um monte de silêncios que podiam ser ruídos de vuvuzelas ensandecidas para a expectativa ficar surda e parar de encher o saco do canal retal que está em greve e causou um inchaço ridículo na barriga.

Tem umas palavras, tem uns repertórios, tem umas crônicas incríveis e não tem nada.
É sempre um abismo sem fim quando a insônia vem sem trazer nenhuma idéia brilhante que me leve para aquela sensação imediata de poder tudo. Só quando escrevo eu posso tudo.
O mundo é pequeno para mim e ficar sem ar é sempre o início do fim para os ansiosos soterrados em pilhas e pilhas de expectativas.
Tem amigos que deviam existir em triplo. Especialmente os amigos como a Lilian que me fazem respirar no saquinho e voltar pro centro do meu Universo. Como se voltar pro centro do meu próprio Universo fosse uma tarefa fácil. Eu nem sei onde está meu Universo. Como é que se encontra o caminho de volta sem achar o da ida?

Tem a novela para acontecer e eu insistindo na única esquete que explica tudo que não quer dizer nada. Tem tudo, mas não tem nada. Ou seja, porra nenhuma porque se eu quisesse de verdade sentido para as coisas eu tinha estudado para ser cientista.
Tem vários momentos de muita gente dizendo que eu tenho talento. E aí é mole, mole. Duro mesmo é quando eu me retiro do mundo e o mundo nem nota. Tem umas ausências que a gente podia não viver só para não ficar mais dura que pau de tarado.

Tem uns dias, às vezes muitos dias seguidos, mas muitos mesmo que são assim. Eu simplesmente não consigo apesar de tudo.
E o único problema disso é que falar é a minha forma mais estúpida de calar.

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One Response to “Milhares de tem e a ausência de palavras”

  1. RR disse:

    Seguindo a recomendação da Dna Lilian, vou comprar 450 saquinhos. Acho que pra essa semana dá, né?
    Lindo, Linda!

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